Meu traço corre fagueiro,
Pois deseja poesia.
Meu coração pede verso
Para espalhar alegria.
O meu Náutico desenha
Amor em mim todo dia.
Não tenho as marcas de um nobre,
Mas ando como quem sonha.
Herdei lá dos meus avôs
O verso pra que alguém ponha
Um pouco disso que esmero
Sem prezar rima enfadonha.
O meu Náutico não tem
Os preconceitos passados.
Não tem medo nem de longe,
De pesadelos maldados.
Sua postura é maior
Que quarenta mil ducados.
Meu Náutico, quem te pinta
Alvirrubro, sabe o segredo
De lutar a cada dia
Sem vacilar ou ter medo
A torcida canta o hino
E assim sigo esse arremedo.
Meu Náutico, não te vejo
Como o tal aristocrático,
Pois se assim ainda o fosses
Não me terias fanático.
Minha origem é humilde
E tu és bem democrático.
O meu Náutico é um grito
De meu pai: um vozeirão.
É sorrir no gol marcado,
É chorar por emoção,
É saber perder/ ganhar
E disso tomar lição.
Na avenida Rosa e Silva,
O torcedor cumpre a sina
De passar, já corriqueiro,
Com ação que desatina,
Na bicicleta ou no carro
E apertar sua buzina!
O meu Náutico tem cor
Do sangue de um bravo herói.
Um vermelho e branco nítido
Como escreveu seu Tolstói:
“Guerra e Paz” me diz o livro
E a luta assim se constrói.
O meu Náutico tem títulos
Que eu sequer tenho noção
No campo, quadra e no mar
De nosso estado ou nação.
Porém tens um troféu raro:
Meu amor e coração!
E assim por amar-te tanto
Muitas palavras não tenho.
Meus parabéns aqui ficam;
Já não controlo meu cenho.
Náutico, o Capibaribe
É o teu nome e o teu lenho!
O torcedor alvirrubro Rafael de Oliveira, professor e cordelista, fez "uns versinhos para o Timba em razão dos seus 110 anos", como ele mesmo descreveu. O poema " Meu Náutico" foi escrito por ele, mas com certeza é uma grande homenagem ao clube de todos os alvirubros. Logo o autor do VemA, de coração vermelho e branco, deixa um pouco de lado a sua neutralidade e publica com orgulho as tradições em poesia do N-Á-U-T-I-C-O.

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